Diretrizes para interfaces de busca para o usuário

Lendo Clarifying Search: A User-Interface Framework for Text Searches, de Ben Shneiderman, Don Byrd e W. Bruce Croft. Hearst cita ele como um artigo influente na área, e pela temática consigo entender. Entretanto, talvez por ser de janeiro de 1997, algumas das recomendações e descrições de funcionamento de mecanismos de busca parecem meio obsoletas hoje em dia. Creio que terminarei a leitura para poder fazer uma comparação mais embasada com as sugestões de Hearst (2009), e para entender de onde as diretrizes dela surgem, também.

Mercun cita um artigo mais recente de Shneiderman, publicado em 2008, que aborda uma temática mais específica, mas que, dado o contexto do fazDelivery, talvez seja útil: Users can change their web search tactics: Design guidelines for categorized overviews (Bill Kules, Ben Shneiderman).

Preciso concluir hoje a parte de usabilidade, para haver tempo hábil para os capítulos sobre Engenhos de Busca e o descritivo do fazDelivery.

(…)

O artigo de Shneiderman de 1997 apresenta um framework com quatro partes para apoiar quem projeta interfaces de sistemas para recuperação da informação:

  1. Formulação da consulta – a ideia é prover controle ao usuário para que ele possa decidir e escolher, ou, no mínimo tomar conhecimento de como se processam:
    • Fontes: onde realizar a pesquisa, no caso de haver diferentes bases de dados, ou diferentes coleções possíveis;
    • Campos: sobre que campos dos documentos da coleção será realizada a consulta;
    • O que buscar: deve ser possível prover o texto para pesquisa, separando-o em mais de uma frases, se necessário; stop lists devem ser conhecidas (e, como dito, preferencialmente o usuário deve ter controle sobre elas);
    • Variantes: diferenciação de maiúsculas ou minúsculas, radicais extraídos e escolhidos, aproximações fonéticas ou de sinônimos devem ser mostrados como opções, se existirem, ou no mínimo informados, mesmo que não possam ser alterados.
  2. Ação – como a busca é iniciada: a ideia aqui é que isto pode ser feito de forma explícita, com um enter ou um clique, ou como uma consulta dinâmica;
  3. Revisão dos resultados – permitir, por exemplo, que os usuários limitem o número de resultados retornado, estilo de ordenamento (e.g., alfabético, índice de relevância), e o que compõem os resumos dos documentos;
  4. Refinamento – Shneiderman sugere que se mantenham um histórico de pesquisa, para que os usuários possam reutilizar esforços anteriores. Isso pode significar tanto manter o histórico de pesquisa dentro de uma sessão quanto ao longo de sessões (por exemplo, permitindo que o usuário salve conjuntos de resultado e query para mandar por e-mail ou consultas posteriores). Feedback útil sobre o set de resultados também pode ajudar.

Ok, além deste framework, o autor adapta oito diretrizes para construção de interfaces em geral para o contexto da recuperação de informação. Já as postei aqui anteriormente, porque Hearst as cita em seu livro.

A parte final do artigo são dois estudos de caso em que, similar a uma análise de usabilidade a partir de heurísticas, os autores apresentam duas interfaces (uma web, outra para desktop), avaliam onde precisam melhorar, com base em seu framework e diretrizes, e depois apresentam alterações feitas com o intuito de torná-las melhores (dã, péssima frase).

Eles são especialistas, então creio que isto baste, mas dos trabalhos que tenho visto, senti falta de eles fazerem testes com usuários com as duas interfaces (ou quatro, já que foram dois estudos de caso) para dizer como cada uma se saiu, para além das avaliações heurísticas.

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