Da série: leituras interessantes não feitas

Mais coisas do Nielsen que eu gostaria de ler um dia:

http://www.nngroup.com/articles/unmoderated-user-testing-tools/

Reescritas e embasamentos

Começando a me sentir insegura de citar Nielsen, porque ele em si, às vezes, não cita nada. Talvez seja porque se trate de senso comum, mas torna tudo meio frágil para se construir sobre. Anyway, li The Mud-Throwing Theory of Usability, dele, buscando algum embasamento para explicar por que sites em geral costumam ter tantos problemas de usabilidade. A justificativa geral de Nielsen gira em torno do time to market (ou seja, da pressa de lançar logo), misturada com a ideia corrente de que, qualquer coisa, conserta-se o que estiver ruim depois. Nielsen é da opinião de que sai mais barato e menos custoso realizar alguns testes e prototipações antes de desenvolver, e, assim, lançar um produto com menos problemas de usabilidade.

(…)

Reescrevi minha introdução. Estava devendo deixá-la com duas páginas e mais objetiva desde antes de 20 de outubro. Agora, ela está com o tamanho adequado e, teoricamente, aborda, ainda que de forma primária, os três tópicos mais importantes: i) problema, ii) contribuições e iii) organização do trabalho. Sinto que, do que escrevi, há duas correntes brigando para ganhar espaço em meu trabalho:

  • uma compilação de heurísticas e inovações em usabilidade de buscadores;
  • uma avaliação e melhoria do fazDelivery, que poderia talvez ser extrapolada para melhoria de buscadores tipo catálogo.

O que eu sinto que quero e tenho como fazer é o segundo. Mas ao mesmo tempo parece que me falta estofo para falar com propriedade do que quer que seja. Sinto que nunca vou ter um trabalho bem amarrado e justificado. >.<‘

Mas, ok. Continuar.

Seguindo?

“Scaneei” uma apresentação de um tutorial sobre desafios em escalabilidade e eficiência para engenhos de busca comerciais, por B. Barla Cambazoglu e Ricardo Baeza-Yates para o Yahoo! Labs Barcelona, indicada por João Rocha. Como não abordava aspectos de usabilidade, aproveitei mais a parte do histórico; da visão geral da anatomia dos resultados de uma busca (porque me ajuda a ver o vocabulário que costumam usar, e os destaques feitos) e de porque a tarefa de engenhos de busca é tão complicada. Os autores observam que a busca na web é difícil por conta de três aspectos, válidos para usuários e para a web em si:

  • tamanho
  • diversidade
  • dinâmica

Citando-os diretamente:

  • The Web
    • more than 190 million Web servers and 700 million host names
    • the largest data repository (estimated as 100 billion pages)
    • constantly changing
    • diverse in terms of content and data formats
  • Users
    • too many
    • diverse in terms of their culture, education, and demographics
    • very short queries (hard to understand the intent)
    • changing information needs
    • little patience (few queries posed & few answers seen)

Scalability and Efficiency Challenges in Commercial Web Search Engines

Artigo: Examining the Usability of Web Site Search

Trata-se de um artigo não publicado do grupo de pesquisas da Hearsti, de 2001, no qual os autores analisam as três interfaces de busca oferecidas pelo site Epicurious e buscam entender como podem apoiar melhor o momento intermediário das buscas, quando as pessoas estão no processo de refinar resultados. Nesse ponto, apontam que:

  • diferentes tipos/ necessidades de buscas levam a diferentes estratégias, no momento da busca, e podem requerer/ beneficiar-se de diferentes interfaces;
  • para buscas realizadas sobre coleções coerentes (que nesse caso acho que podem ser entendidas, também, como mais estruturadas), metadados são ferramentas importantes tanto para auxiliar a criação das consultas quanto para refinar/reorganizar resultados, sendo mais promissoras do que o par busca por palavra-chave/listagem de resultados, apenas.

Além disso, o artigo também parece interessante, para meu projeto, do ponto de vista da descrição do estudo de usabilidade feito, trazendo insights que, penso, poderei aproveitar, como formas para evitar a falta de motivação dos participantes (além de pagar para eles >.<).

Outros destaques:

(more…)

44 dias: detalhar problema, solução (e metodologia?)

Ok, eu preciso definir, com mais clareza, qual o problema do fazDelivery que pretendo resolver, no projeto de TCC. E também qual a solução que proponho. O que sei/sabemos no fazDelivery é que pessoas para quem divulgamos o site e que observamos (ou não) usando, com ou sem explicações do que se tratava o sistema, reportaram alguns problemas de compreensão de qual era o propósito do site, ou o que poderiam encontrar lá ou mesmo como buscar – temos as mais sérias desses reclamações guardadas, desconfio, neste momento, que posso – e devo – recuperá-las.

Para saber se poderia citar essas experiências, li o artigo de Nielsen sobre Discount Usability. Na verdade, uma espécie de auto-análise deste movimento, após 20 anos do artigo (que é de 1989) em que ele propõe esta metodologia: http://www.nngroup.com/articles/discount-usability-20-years/.

Em linhas muito gerais, a ideia é que é possível conseguir resultados e melhorias de usabilidade muito boas com recursos simples, como prototipagem de papel; avaliação heurística e estudos qualitativos, com testes de usabilidade iterados com cerca de 5 usuários.

Um trecho que me chamou a atenção – porque posso tentar avaliar se tenho condições de conduzir testes de usabilidade com o limite de tempo que tenho – foi onde ele fala dos resultados que conseguiu, com essa abordagem, à epoca do artigo:

For the bank account project, I tested 8 different versions of the design; in the IRA project, I tested 11 different versions. These extensive iterations were completed in 90 hours in the first case and 60 hours in the second. Both projects had great results and were possible only with discount methods.

Discount usability often gives better results than deluxe usability because its methods drive an emphasis on early and rapid iteration with frequent usability input.

Creio que preciso perguntar aos orientadores se posso usar os feedbacks iniciais de nossos usuários como justificativa para o problema no fazDelivery – com base na sugestão de Discount Usability de Nielsen, por exemplo. E, a partir daí, avançar…

55 dias: ainda expandindo…

Em busca de um lugar para baixar o livro Search User Interface Design, do Max Wilson, encontrei slides de uma palestra dada por ele na University of Glasgow, para o grupo de Recuperação da Informação, em jullho de 2012, com esta temática:

O material tem detalhes bem interessantes, como taxonomia do design de uma interface de busca, com exemplos; detalhes de estudos feitos para avaliar melhores formas de interações e outras informações do gênero. Faz-me pensar que o livro pode valer a pena.

Taxonomia do Design para Interfaces de Usuário para Buscas:

  • Input features
    • search box
    • query-by-example
    • cluster / categories
    • taxonomies
    • facets
    • social annotations
  • Control features
    • query suggestions
    • corrections
    • sorting
    • filters
    • groupings
  • Informational features
    • Snippets
    • Usable info
    • Thumbnails
    • Previews
    • Relevance info
    • 2D & 3D visualization
    • Guiding numbers
    • Zero-click answers
    • Sign posting
    • Pagination
    • Social info
  • Personalisable features
    • Current-search
    • Persistent
    • Socialised

Ainda preciso terminar de olhá-lo. E de passar pra cá o que considero que pode ser interessante.

56 dias: metas atrasadas.

De acordo com o cronograma que tentei fazer, hoje e amanhã eu deveria focar em trabalhos relacionados. No entanto, ainda estou longe de terminar o referencial teórico…

Há alguns artigos do Nielsen que me parecem interessantes, mas que preciso avaliar quanto de fato poderão agregar ao TCC, para decidir se os leio agora ou não. Pensei em fazer uma priorização, mas não sei se farei algo de fato ou só os deixo para outra ocasião, tenho a sensação de que o TCC parecerá “pobre” se citar muitos artigos online desse tipo…

Outro dia sem render praticamente nada. Não posso fazer isso. >.<‘

Confesso: por incrível que pareça, estou perdida entre as leituras.

57 dias: Nielsen time!

Li alguns artigos no site do grupo Nielsen Norman ontem (por isso o post fala em 57 dias), há ainda outros a ler. Um resumo dos que considerei melhores par ao trabalho, até o momento:

Usability 101: Introduction to Usability (2012) – Outra boa introdução à usabilidade, em linguagem simples e direta, trazendo:

  • o que é: a usabilidade, como já falei aqui no blog, diz respeito à facilidade de uso de uma interface. Além das já conhecidas características (facilidade de aprendizado, eficiência, memorização, erros e satisfação), Nielsen lembra do aspecto da utilidade – não adianta ser fácil e satisfatório, se não atende às necessidades do usuário;
  • por que preocupar-se com ela: uma interface com uma usabilidade ruim, ou que não atenda às demandas de seus usuários, na web, os levará a abandonar o site em questão: há uma série de outras plataformas que podem lhes ajudar a resolver seus problemas e que estão concorrendo por sua atenção, afinal;
  • como melhorá-la: há diversas formas de fazê-lo, mas uma das mais básicas e funcionais são os testes de usabilidade, com usuários reais, observando como eles de fato interagem com o sistema;
  • quando trabalhá-la: ao longo de todo o projeto de construção ou reconstrução de um design, desde o início, de modo iterativo. Caso se trate de um redesign, deve-se primeiro testar a interface antiga, também, para entender o que funciona e o que não;
  • e onde realizar os testes: depende da frequência. Para projetos que realizam testes semanais, um laboratório de usabilidade pode ser bem vindo, mas em outros casos qualquer lugar em que seja possível sentar com um usuário e observá-lo usando o sistema sem distrações estará de bom tamanho.

Top 10 Mistakes in Web Design (2011) – O site do grupo Nielsen Norman tem várias listas – erros e boas práticas em design, bizarrices de UI mostradas em filmes, há de tudo. Esta é a lista dos piores erros já listados por outras listas deles, quando o assunto é web design. Estrelando:

  • Busca ruim – buscas que levam tudo ao pé da letra ou não encontram produtos, definitivamente, não cumprem seu propósito;
  • PDFs para leituras online – se o material é curto, transforme-o em uma página, PDFs não são o melhor em termos de usabilidade;
  • Não mudar a cor de links já visitados (ou destacá-los de algum modo) – o que deixa os usuários perdidos em relação a sua naveção pelo site;
  • Blocos de texto – ou texto não “escaneável: a escrita para plataformas online não é a mesma que para textos escritos – é importante adaptar-se para melhorar a legibilidade;
  • Tamanho fixo de fonte – não permitir que os usuários reescalem as fontes do site, além de ser ruim para a usabilidade e acessibilidade, eventualmente impedindo que usuários com problemas de visão acessem seu conteúdo, ainda é uma afronta do ponto de vista de tirar do usuário um controle que ele habitualmente tem, através dos comandos de seu navegador;
  • Títulos de página que ficam ruins em busca – eles precisam ser curtos e informativos, para fazerem sentidos nas (famosas) SERPs;
  • Colocar elementos que pareçam propaganda – as pessoas aprenderam a ignorar anúncios, então, evite que elas ignorem coisas importantes em sua página só porque parecem com propagandas;
  • Violar convenções de design – se há padrões ou convenções, além de haver um bom embasamento para tal, ocorre o simples fato de que vários lugares o estarão usando, então é bem provável que seus usuários já estarão acostumados com eles – e esperando que funcionem como devem!
  • Abrir novas abas no navegador – para Nielsen, a questão é simples: seus usuários estão acostumados a navegador entre conteúdos utilizando o recurso de “voltar” do navegador. Então, esperam ir para outra página ao clicar em um link. Se eles quiserem voltar para sua página, eles voltam. Eu, particularmente, sempre abro em nova aba. Até usava esse padrão aqui no blog, me senti sem jeito lendo as observações de Nielsen. Talvez pesquise algo mais a respeito, para ver se todos concordam com ele;
  • Não responder às questões e demandas dos usuários – não listar preços, valores ou funcionalidades, ter informações difíceis de encontrar, tudo isso leva os visitantes a: irem embora, procurarem o que querem em outro lugar. Caso se trate de um sistema que eles precisam usar, então o que ocorre é uma perda em produtividade. Ou seja, isso não é bom em caso algum.

10 Good Deeds in Web Design (1999) – Mais dez sugestões importantes de aspectos de design para sites, incluindo: como devem ser seus títulos, importância de haver sempre marca da empresa, melhor forma de exibir miniaturas de imagens de produtos, importância de oferecer uma busca.

Um aspecto dito em vários artigos online de Nielsen ou que o citam é a Lei de Jakob da Experiência de Usuário para a Web: os usuários passam a maior parte de seu tempo em outros sites. Assim, eles esperarão que o seu se comporte como a maioria dos lugares que visita.

Leitura: Serra, Raquel. Princípios do Design de Interfaces Aplicados à Busca

Terminei a leitura do TCC de Raquel Serra, que comecei ontem.

Alguns destaques que considerei interessantes:

“[Um modelo mental] Representa o processo de pensamento de uma pessoa para como algo funciona (ou seja, o entendimento do mundo ao redor). Modelos mentais são baseados em fatos incompletos, experiências passadas e até mesmo percepções intuitivas. Eles ajudam a moldar ações e comportamentos, influenciam o que será considerado mais relevante em situações complexas e definem como indivíduos confrontam e resolvem problemas.” (Carey, 1986, apud Weinschenk, 2010).

E: “Conhecer a maneira como os usuários pensam e agem diante de uma necessidade de informação permite o desenvolvimento de interfaces com as quais ele pode se identificar, tornando-as mais fáceis e úteis para ele.” (p. 34)

Essa questão do modelo mental me fez pensar que pode ser algo útil de eu tentar construir – talvez com grupos focais, como Eduardo Jorge sugeriu -, para entender melhor o processo de pensamento das pessoas quando estão buscando um serviço de delivery: o que levam acham mais importante para comparar, que informações querem ver primeiro, em quem confiam para tomar decisões etc.

Fatores de usabilidade, segundo Nielsen:

  • Facilidade de aprendizagem
  • Eficiência de uso
  • Facilidade de memorização
  • frequência e recuperação de erros
  • satisfação subjetiva
  • ergonomia

Listagem dos princípios do design de interação:

  • divulgação progressiva,
  • resposta imediata,
  • visualizações alternativas, previsibilidade,
  • reconhecimento sobre recuperação,
  • interrupção
  • mínima, manipulação direta
  • contexto de uso

Preciso aprofundar uma explicação sobre todos estes pontos, para o referencial teórico.

Entendimento geral: é um bom material introdutório para quem não está familiarizado com conceitos de usabilidade, design de interação e sua importância. Além disso, por ser focado na interface de sistemas de busca trouxe elementos interessantes para meu projeto, e já traz um exemplo de análise de interface – no caso, do Google. Fiquei com a sensação de que esta análise heurística do Google, no entanto, foi meio superficial – como se apenas alguns aspectos deste tivessem sido abordados, em cada princípio. Preciso atentar para isso quando for fazer minhas próprias análises.

Avanços. E exemplos de Interfaces de Busca (ou recomendação) Inovadoras

2 e 3 de maio

Título sugerido pelo professor: Análise de Interfaces Homem Humano Computador Inovadoras para Sistema de Busca Baseado em Palavras-Chave

Declaração de Orientação: entregue (uhu! aos pouquinhos, chegarei lá). Encomenda do orientador: exemplos de interfaces de busca inovadoras.

7 de maio

Tomei a liberdade de incluir interfaces de recomendação, porque, como comentei n’outro post, há um campo comum entre as duas, em meu entendimento, na medida em que posso entender que uma recomendação é uma predição de resultados com base em gostos (ditos ativa ou passivamente) do usuário.

Burger King recomenda!

Burger King recomenda!

Destaques: três sliders permitem que o visitante altere dinamicamente os resultados mostrados nas sugestões do cardápio, de acordo com o que mais se adequa a sua vontade no momento. Pode-se variar a “leveza do produto” (+/- light); “sabor” (+/- doce); ou quanta energia se precisa (+/- energia). A partir disso, o sistema não apenas lista resultados (mostrando apenas o que, segundo seu algoritmo, se enquadra no pedido do usuário) como os ordena.

HotMap - interface antes dos resultados.

HotMap – interface antes da exibição dos resultados.

O HotMap traz alguns elementos visuais para que o usuário possa rapidamente ter uma noção geral dos resultados e da relevância destes, e também permite que os resultados sejam reordenados, trocando a importância dos termos de pesquisa, ou excluindo algum. Para permitir a avaliação da relevância de cada resultado, a frequência de aparecimento de cada termo é representada com um quadrado colorido (quanto mais forte a cor, mais ocorrências). Assim é possível avaliar rapidamente um resultado mesmo sem abri-lo, e também comparar vários resultados. Off-topic sobre performance: eles estão em beta 0.9.5. Não sei se isso justifica, mas não consegui obter resultados para as três buscas que tentei fazer (tissu routine; computer; innovative search interfaces).

Conheci o HotMap através do artigo: A Comparative User Study of Web Search Interfaces: HotMap , Concept Highlighter, and Google (2006). O mesmo grupo fez as duas ferramentas, e testa como usuários se saíram com buscas com elas e com o Google, em termos de tempo de resposta e avaliação da relevância de resultados. Ainda não terminei de ler o artigo, mas ele me parece, também, uma boa fonte para entender como posso vir a fazer avaliações comparativas de interfaces (incluindo aí questões de relevância de resultados e técnicas utilizadas para cada caso).

Pesquisando um pouco mais sobre “innovative search interfaces“, encontrei:

  • um post de 2009 que traz uma opinião curta de dez motores de busca interessantes e inovadores precisarei olhar com mais calma os resultados e filtrar os que apresentam inovações de interface, mas acho que há algum potencial aqui.
  • Testei rapidamente o KartOO, porque o autor falou especialmente bem dele, mas em um uso mais superficial não consegui entender como é inovador ou útil. De fato precisarei olhar mais detalhadamente as sugestões.
  • o livro Search User Interfaces, também de 2009 e, no site do mesmo, o primeiro capítulo, para leitura. Acredito que pode ser um material interessante para me familiarizar com alguns conceitos (no entanto, como é de 2009, precisarei pesquisar o que o autor fez depois disso, para  não correr o risco de me basear em algo obsoleto).

Bueno, creio que o caminho agora é continuar. Status:

  • apresentar título ao orientador – ok!
  • entregar Declaração de Orientação –ok;
  • Anteprojeto (23%) – pending!
    • problema de pesquisa – ok;
    • título – ok;
    • bibliografia inicial – ok;
    • leitura e escrita (5%) – pending!!
      • comecei a ler artigos direcionados;
      • comecei algum nível de pesquisa por trabalhos relacionados;
      • montei estrutura do anteprojeto no LaTeX.