Sobre relacionamentos, sofrimentos, ciúmes e [não] monogamia…

Esta é uma reflexão bem crua que saiu de uma poli discussão de mulheres no facebook acerca da possibilidade de escolha pela não monogamia para lidar com a vontade de não exclusividade, e sobre o entendimento de que o ciúmes seria um dos grandes vilões da não monogamia. Em um resumo superficial. Senti vontade de “salvá-la pra posteridade”, então, aqui fica. Ou vai.

Relacionamentos podem doer no formato que forem… Não monogamia não significa não machucar e não sofrer, assim como monogamia também não significa. Somos humanos, em uma jornada sem fim de aprendizado, e relacionar-se é algo que com cada pessoa e em cada fase de nossas vidas será um aprendizado à parte.

Acho que se você mesma não se vê apenas com uma pessoa pela vida toda, pode ser que a não monogamia seja um caminho, ou pode ser que você possa desconstruir a ideia romântica de estar com uma pessoa pelo resto da vida, por exemplo. 😛

O ciúmes existe também em relações monogâmicas, e pessoas em relações monogâmicas estáveis, que se amam e sabem que querem estar apenas uma com a outra, passam por isso. Entender como lidar com ele não é algo que apenas pessoas não monogâmicas enfrentam… Minha percepção atual é de que não necessariamente deixarei de sentir ciúmes – a questão das relações como posse, com exclusividade, especialmente para mulheres, como muitas vezes dito, é algo imposto e reproduzido em variados discursos, em variadas culturas e sociedades. É difícil um indivíduo em uma vida finita conseguir vencer isso sozinho!

Acho que nesse sentido grupos de conversa, redes de apoio, exemplos de outras experiências são importantíssimos… Porque… estamos razoavelmente acostumados a pensar que “vale a pena lutar” pelas relações monogâmicas em que estamos, mas a cada sofrimento em uma relação não monogâmica, o comum é dizerem que “é claro que isso não daria certo”, “onde já se viu” etc etc etc. Então… apesar de os dois grupos de formatos darem trabalho, há muito mais pressão quando o fracasso é na não monogamia… O que torna os fardos muito mais pesados, especialmente quando sentimos ciúmes ou coisas assim…

Reflexões que não findam aqui. Mas que… já carregam algo válido, assim.

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