65 dias. Dificuldades.

(e: de volta)

Tenho uns três posts no rascunho, o que ilustra bem que andei parada e afastada do trabalho por um tempo, pegando eventualmente mas sem ser de forma sistemática. Voltei à ativa de modo mais organizado nos últimos dias, depois de duas semanas bem distante por conta de alguns problemas de ordem pessoal que me tiraram de tempo.

Ok, agora ao que interessa: uma versão (provavelmente) final do anteprojeto pronta, volto-me para leituras (algo me diz que segui o caminho contrário, mas agora já foi e o tempo urge). E mais uma vez me defronto com o problema de conseguir saber o que ler, de conseguir me manter em uma única leitura, de não me desesperar com um bocado de buscas e caminhos e expressões que parecem úteis e importantes e de repente não sei definir o que de fato entra no escopo ou não, ou o caminho a seguir ou o primeiro passo a tomar.

E os dias vão passando.

Acho que vou tentar alguma meta simples, como ler x páginas por dia, fazendo anotações. Não dá pra ficar muito nisso porque tenho uma apresentação sábado e porque preciso começar a prototipar, pra poder começar a testar, porque daqui a pouco é novembro e o tempo acaba – entretanto, se não ler não consigo embasar o resto todo, então, vamos nessa.

Dois pontos de partida: o livro Search User Interfaces, do qual já falei aqui, e uma tese não publicada que propõe uma nova interface para sistemas de recuperação de informação em bibliotecas.

O livro já li um pouco. A tese comecei a ler um pouco hoje, e um conceito que é abordado é o de Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (Functional Requirements for Bibliographic Records). Isso me fez me perguntar se não haveria algo como requisitos funcionais para interfaces de busca, ou interfaces de busca na web. Procurei, não achei muita coisa como uma definição formal disso, mas encontrei alguns materiais falando de busca exploratória (exploratory search – um tipo específico de busca quando o usuário não tem muito conhecimento sobre o que está buscando); um artigo de um trabalho para aumentar a credibilidade de resultados de busca (acho que acaba fugindo ao escopo porque segue a linha de mexer no ranking e tal, não apenas na interface).

Esses negócios me fizeram pensar se devia seguir essa linha e olhar por exemplo o material de busca exploratória – está aí minha dificuldade: parar de procurar coisas, de expandir a árvore sem explorar em profundidade algum nó. Então farei um esforço, deixarei apenas registrado aqui tais tópicos e voltarei ao livro e à tese.

E é isso.

Edit: outras duas coisas interessantes que achei hoje:

Um TCC, de 2010 – Principios do Design de Interfaces aplicados a Busca. Apesar de ter alguns trechos que parecem expandir um pouco mais do que o necessário pro contexto do trabalho, traz outras considerações que achei boas e úteis para contextualizar o que quero fazer.

Um livro, de 2011 – Search User Interface Design: Synthesis Lectures on Information Concepts, Retrieval, and Services. Pelo índice acho que pode ser um bom material,

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Peer assessments, auto-avaliação e capacidade argumentativa.

Não lembro se já comentei diretamente aqui, mas, caso sim, vale reforçar: o curso de Gamificação, que estou fazendo através do Coursera, está tendo um ganho adicional inesperado pra mim.

A cada semana (até o momento) é necessário fazer as avaliações por pares, ou seja, dar notas para os exercícios escritos de outros colegas de curso. A avaliação consiste em ler 5 respostas de outros colegas, dar duas notas objetivas, uma por aspectos quantitativos e outra por aspectos qualitativos, e depois destacar o que você gostou e o que não gostou da resposta. As rubricas de cada nota objetiva são bem claras, então costuma ser fácil decidir que nota o estudante merece.

O grande ganho pra mim tem vindo na questão dos feedbacks abertos. Extrair de cada resposta pelo menos um aspecto positivo e um negativo, e, principalmente, justificá-los (para que não soem como algo arbitrário), tem me feito pensar muito, melhorar minha capacidade de análise e de argumentação. Como, depois de avaliar as respostas dos colegas, ainda tenho de me auto-avaliar, cresço ainda mais, porque posso olhar para o que fiz em perspectiva, e me julgar com as mesmas lentes que os estou julgando (tanto quanto possível, estou tentando seguir esta linha).

Este processo todo está me fazendo ler e escrever mais, além de ser mais criteriosa com minhas respostas. Penso, releio, reviso. Eventualmente mais de duas vezes, porque como o curso é em inglês ainda tenho a insegurança da língua mordendo meus calcanhares, me fazendo passar checagem por erros ortográficos e frases sem sentido.

Como uma parte interessante da tarefa de escrever um projeto de TCC está justamente em ser capaz de sintetizar ideias, argumentar, escrever;  ler um bocado; revisar; e, ao longo do projeto e no fim dele, avaliar crítica e objetivamente resultados (com isso, quero dizer, ser imparcial nesta avaliação), penso que está sendo um aprendizado muito útil para a jornada que estou empreendendo, para além do ponto direto de ser um tema que quero abordar na solução que for apresentar, em si.

(As avaliações – e os posts no blog – me fazem ver, também, o quanto sou prolixa na hora de escrever. Boa parte dos trabalhos que leio conseguem ser muito mais sucintos e objetivos do que eu. Preciso melhorar muito neste ponto.)

18/19 de abril – gamificação, auto-avaliação e mais uma meta adiada

Assisti a uma vídeo-aula do curso de Gamificação, sobre as contribuições mais diretas do Behaviorismo para a Gamificação. O principais pontos são:

  • É importante observar como as pessoas de fato se comportam. Pode parecer meio óbvio, mas alguns campos e estratégias são capazes de se fiar apenas na teoria, e esquecer de retroalimentar suas hipóteses com as (re)ações das pessoas, de fato. O behaviorismo trabalha com observação de hábitos, então traz a força e a importância desse ponto;
  • Relevância do feedback. Uma vez que uma das formas de os seres (em especial as pessoas) mudarem comportamentos é através da observância de como suas ações influenciaram o mundo, somos muito sensíveis a feedbacks, a mecanismos que nos digam o resultado de nossas ações e escolhas. Dois tipos interessantes e complementares:
    • mostrar onde estamos em nossa trajetória;
    • destacar o que falta para alcançarmos o próximo patamar, preferencialmente em forma de pequenas metas fáceis de entender e alcançar.
  • Recompensas: úteis e válidas em uma boa medida, visto que estimulam a liberação de dopamina no cérebro. Mas não devem ser a única estratégia utilizada, em um projeto / solução de gamificação. O campo é muito mais amplo e rico do que apenas pontos, badges e quadros de lideranças (popularmente conhecido como PBL – points, badges, leaderboards) ou “viciar” os jogadores. Uma boa solução de gamificação explorará alguns mecanismos e componentes.

Revisei e submeti a avaliação dos exercícios dos colegas de curso (faz parte do curso em si) e a minha. Foi um exercício muito bom de retroalimentação e autocrítica (mesmo enquanto lia as respostas dos outros). Gostei muito da experiência, cada pequena atividade deste tipo me ajuda a amadurecer meu senso crítico.

Na quinta falei com o professor de TCC I, Marco Simões. Ele frisou que para o anteprojeto não é preciso fazer um estudo exaustivo das fontes. Trata-se de um contato que permita demonstrar que há viabilidade para continuar dedicando tempo ao projeto, mas não é ainda o momento da revisão bibliográfica em si. Em palavras mais cruas: deixa de firula e escreve, Juliana! Quero ver se consigo fazer isto neste fim de semana.

Uma estratégia que provavelmente usarei é começar a escrever e ver os pontos em que o próprio texto me pergunta “por que você está afirmando isto? quem comprova o que você está dizendo aqui? com que fundamentos?” tais questionamentos naturalmente puxam as leituras e referências que devem aparecer neste momento.

Pendentes:

  • Declaração de Orientação – 80% (prontos: orientador, tema geral. falta: título);
  • Anteprojeto – 7% (pronto: tema geral, artigos iniciais. falta: refinar o tema, começar a escrever e identificar os gaps de fundamentação).