Mais indicações de Nielsen

Será que um dia conseguirei todos os materiais interessantes que chegam na newsletter do grupo NN? Chegou um hoje – First Principles Of Interaction Design (revised and expanded) que me parece um “must see”, pra mim. Acho que farei isso. Vou classificá-los por ordem de importância, e ver se com isso avanço nessas leituras “extras”.

Esse outro post do NN parece interessante porque aborda navegação por filtros vs. facetas, que são algo que a Hearst considera uma boa prática para buscas, então quero saber quais as contribuições de Whitenton (autora do post) sobre o assunto…

What is usability, in Usability Engineering (Nielsen, 1993)

Para definir usabilidade no Referencial Teórico, mesmo já havendo lido a respeito, senti necessidade de buscar o Usability Engineering, de Jakob Nielsen (1993).

Alguns destaques, por hora:

Clarifying the measurable aspects of usability is much better than aiming at a warm, fuzzy feeling of “user friendliness” [ShackelI991]. (mas não fica claro pra mim se ele quer dizer que está parafraseando Shackel, ou se Shackel falava em almejar a essa sensação difusa de “amigável”).

“(…) usability is measured relative to certain users and certain tasks. It could well be the case that the same system would be measured as having different usability characteristics if used by different users for different tasks.”

É engraçado ler algumas coisas desse livro de Nielsen, porque em 1993 a popularidade dos computadores era muito diferente do que temos hoje em dia, então ele ainda precisava entrar em tópicos como, por exemplo, como o entusiasmo (ou não) em relação a computadores poderia afetar a noção geral de satisfação com o uso de um sistema. Apesar de, em alguns contextos, esta observação ainda ser válida, na realidade da maioria dos desenvolvedores de software, hoje em dia, seu público-alvo será usuário contumaz não apenas de computadores, mas muitas vezes de smartphones e tablets – o que os torna bem diferentes dos usuários descritos por Nielsen, há 20 anos atrás.

(…)

Em comparação com minhas leituras anteriores de cada aspecto em que se costuma caracterizar a usabilidade, tenho a impressão de que Nielsen explica melhor a função de cada um destes atributos (facilidade de aprendizado; eficiência; memorização; ausência de erros graves / capacidade de recuperação de erros; satisfação subjetiva) também porque, em alguma medida, ele os relaciona a perfis específicos de usuários – ou ao que se quer mensurar. Algumas das considerações que ele faz não são difíceis de se chegar a partir de cada aspecto, mas tenho a sensação de que é possível passar em branco por esses desdobramentos se não se para pra pensar a respeito. Assim, por exemplo, do mesmo modo que capacidade de aprendizado irá se relacionar melhor com a usabilidade para usuários novatos do sistema, eficiência mede mais a interação de usuários que já têm um certo domínio da ferramenta, e a memorização avalia melhor a interação de usuários que, apesar de usarem repetidamente o sistema, passam intervalos de tempo significativos sem fazê-lo (seja devido a uma característica do sistema – digamos, por exemplo, o software para declaração do imposto de renda), ou do usuário (digamos, uma pessoa que não tenha o costume de checar e-mails e passe dias sem fazê-lo).

Reescritas e embasamentos

Começando a me sentir insegura de citar Nielsen, porque ele em si, às vezes, não cita nada. Talvez seja porque se trate de senso comum, mas torna tudo meio frágil para se construir sobre. Anyway, li The Mud-Throwing Theory of Usability, dele, buscando algum embasamento para explicar por que sites em geral costumam ter tantos problemas de usabilidade. A justificativa geral de Nielsen gira em torno do time to market (ou seja, da pressa de lançar logo), misturada com a ideia corrente de que, qualquer coisa, conserta-se o que estiver ruim depois. Nielsen é da opinião de que sai mais barato e menos custoso realizar alguns testes e prototipações antes de desenvolver, e, assim, lançar um produto com menos problemas de usabilidade.

(…)

Reescrevi minha introdução. Estava devendo deixá-la com duas páginas e mais objetiva desde antes de 20 de outubro. Agora, ela está com o tamanho adequado e, teoricamente, aborda, ainda que de forma primária, os três tópicos mais importantes: i) problema, ii) contribuições e iii) organização do trabalho. Sinto que, do que escrevi, há duas correntes brigando para ganhar espaço em meu trabalho:

  • uma compilação de heurísticas e inovações em usabilidade de buscadores;
  • uma avaliação e melhoria do fazDelivery, que poderia talvez ser extrapolada para melhoria de buscadores tipo catálogo.

O que eu sinto que quero e tenho como fazer é o segundo. Mas ao mesmo tempo parece que me falta estofo para falar com propriedade do que quer que seja. Sinto que nunca vou ter um trabalho bem amarrado e justificado. >.<‘

Mas, ok. Continuar.

Estudo Comparativo da Usabilidade de Interfaces para Dispositivos Móveis

O trabalho de Jussi faz uma comparação entre a produtividade de interfaces rasas vs. profundas em dispositivos móveis tipo touchscreen. Para realizar a comparação ela criou uma ferramenta para simular tarefas comuns a um gerenciador de arquivos, que ao mesmo tempo mensurava tempo e quantidade de cliques gastos em cada tarefa.

É uma monografia bem detalhada do ponto de vista do percurso seguido, e me soou bem embasada – com um bom diálogo entre as fontes, e cada referência parece bem justificada ou encaixada no conjunto do trabalho.

Para seguir de exemplo: mesmo roteiro para as duas interfaces – Claybony teve a mesma abordagem (do contrário, como comparar?). Jussi também define claramente critérios de comparação.

Achei particularmente interessantes as referências:

FAULKNER, L. Beyond the five-user assumption: Benefits of increased sample sizes in usability testing. Austin, Texas, 2003. => aprofunda a discussão em torno da quantidade ideal de pessoas para um teste de usabilidade (para contrabalançar o ponto de vista de Nielsen).

PORTER, J. Testing the three-click rule. User Interface Engineering, 2003. => Não há correlação direta entre número de cliques e abandono de página ou sucesso para completar uma tarefa, na web.

WEINSCHENCK, S. 100 Things Every Designer Needs to Know About People. USA: New Riders, 2011. => outra fonte que fala sobre os modelos mentais dos usuários serem baseados em experiências prévias com outros produtos (similar à Lei de Jakob, em alguma medida, certo?) e que o stress pode fazer tarefas parecerem mais complicadas do que são.

59 dias: prefácio – search user interfaces

/* Entreguei o anteprojeto! Bonitinho, assinadinho. Até colorido foi. */

Citações que merecem destaque – talvez possa usá-las na monografia:

“Today, search is fully integrated into operating systems and is viewed as an essential part of most information systems.”

“This is a fast-changing field, and any attempt to summarize the state-of-the-art will no doubt soon be proven obsolete. Nonetheless, certain principles and techniques seem to hold steady over the years, and there is much that is now known about search interfaces that should stand for at least the near future.”

Related books: (…) Designing Web Navigation, Optimizing the User Experience, by Kalback and Gufstafson, O’Reilly Media, 2007, which discusses navigation design for web sites.

Ela fala que, à época da escrita do livro, não havia livros focados especificamente na interface de usuário dos sistemas de busca. Nesse sentido, talvez seja bom se eu conseguir ler o Search User Interface Design, do Max L. Wilson, de 2011, para complementar a pesquisa para o projeto.

Falando em leitura, a partir da apresentação dos capítulos que ela faz, parece-me que terei de ler, no mínimo, os capítulos 1 – 6, 8 e 10. O 1 e o 5 já li, mas não fiz um bom fichamento, então é melhor reler.

Edit: ~8 páginas lidas. Faltam 70 para chegar à meta diária.

Leitura: Serra, Raquel. Princípios do Design de Interfaces Aplicados à Busca

Terminei a leitura do TCC de Raquel Serra, que comecei ontem.

Alguns destaques que considerei interessantes:

“[Um modelo mental] Representa o processo de pensamento de uma pessoa para como algo funciona (ou seja, o entendimento do mundo ao redor). Modelos mentais são baseados em fatos incompletos, experiências passadas e até mesmo percepções intuitivas. Eles ajudam a moldar ações e comportamentos, influenciam o que será considerado mais relevante em situações complexas e definem como indivíduos confrontam e resolvem problemas.” (Carey, 1986, apud Weinschenk, 2010).

E: “Conhecer a maneira como os usuários pensam e agem diante de uma necessidade de informação permite o desenvolvimento de interfaces com as quais ele pode se identificar, tornando-as mais fáceis e úteis para ele.” (p. 34)

Essa questão do modelo mental me fez pensar que pode ser algo útil de eu tentar construir – talvez com grupos focais, como Eduardo Jorge sugeriu -, para entender melhor o processo de pensamento das pessoas quando estão buscando um serviço de delivery: o que levam acham mais importante para comparar, que informações querem ver primeiro, em quem confiam para tomar decisões etc.

Fatores de usabilidade, segundo Nielsen:

  • Facilidade de aprendizagem
  • Eficiência de uso
  • Facilidade de memorização
  • frequência e recuperação de erros
  • satisfação subjetiva
  • ergonomia

Listagem dos princípios do design de interação:

  • divulgação progressiva,
  • resposta imediata,
  • visualizações alternativas, previsibilidade,
  • reconhecimento sobre recuperação,
  • interrupção
  • mínima, manipulação direta
  • contexto de uso

Preciso aprofundar uma explicação sobre todos estes pontos, para o referencial teórico.

Entendimento geral: é um bom material introdutório para quem não está familiarizado com conceitos de usabilidade, design de interação e sua importância. Além disso, por ser focado na interface de sistemas de busca trouxe elementos interessantes para meu projeto, e já traz um exemplo de análise de interface – no caso, do Google. Fiquei com a sensação de que esta análise heurística do Google, no entanto, foi meio superficial – como se apenas alguns aspectos deste tivessem sido abordados, em cada princípio. Preciso atentar para isso quando for fazer minhas próprias análises.

65 dias. Dificuldades.

(e: de volta)

Tenho uns três posts no rascunho, o que ilustra bem que andei parada e afastada do trabalho por um tempo, pegando eventualmente mas sem ser de forma sistemática. Voltei à ativa de modo mais organizado nos últimos dias, depois de duas semanas bem distante por conta de alguns problemas de ordem pessoal que me tiraram de tempo.

Ok, agora ao que interessa: uma versão (provavelmente) final do anteprojeto pronta, volto-me para leituras (algo me diz que segui o caminho contrário, mas agora já foi e o tempo urge). E mais uma vez me defronto com o problema de conseguir saber o que ler, de conseguir me manter em uma única leitura, de não me desesperar com um bocado de buscas e caminhos e expressões que parecem úteis e importantes e de repente não sei definir o que de fato entra no escopo ou não, ou o caminho a seguir ou o primeiro passo a tomar.

E os dias vão passando.

Acho que vou tentar alguma meta simples, como ler x páginas por dia, fazendo anotações. Não dá pra ficar muito nisso porque tenho uma apresentação sábado e porque preciso começar a prototipar, pra poder começar a testar, porque daqui a pouco é novembro e o tempo acaba – entretanto, se não ler não consigo embasar o resto todo, então, vamos nessa.

Dois pontos de partida: o livro Search User Interfaces, do qual já falei aqui, e uma tese não publicada que propõe uma nova interface para sistemas de recuperação de informação em bibliotecas.

O livro já li um pouco. A tese comecei a ler um pouco hoje, e um conceito que é abordado é o de Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (Functional Requirements for Bibliographic Records). Isso me fez me perguntar se não haveria algo como requisitos funcionais para interfaces de busca, ou interfaces de busca na web. Procurei, não achei muita coisa como uma definição formal disso, mas encontrei alguns materiais falando de busca exploratória (exploratory search – um tipo específico de busca quando o usuário não tem muito conhecimento sobre o que está buscando); um artigo de um trabalho para aumentar a credibilidade de resultados de busca (acho que acaba fugindo ao escopo porque segue a linha de mexer no ranking e tal, não apenas na interface).

Esses negócios me fizeram pensar se devia seguir essa linha e olhar por exemplo o material de busca exploratória – está aí minha dificuldade: parar de procurar coisas, de expandir a árvore sem explorar em profundidade algum nó. Então farei um esforço, deixarei apenas registrado aqui tais tópicos e voltarei ao livro e à tese.

E é isso.

Edit: outras duas coisas interessantes que achei hoje:

Um TCC, de 2010 – Principios do Design de Interfaces aplicados a Busca. Apesar de ter alguns trechos que parecem expandir um pouco mais do que o necessário pro contexto do trabalho, traz outras considerações que achei boas e úteis para contextualizar o que quero fazer.

Um livro, de 2011 – Search User Interface Design: Synthesis Lectures on Information Concepts, Retrieval, and Services. Pelo índice acho que pode ser um bom material,