Reflexões: escrever aos poucos, ao longo do processo

O fato de eu ir escrevendo na medida em que vou decidindo o que fazer, mesmo que por vezes me faça pensar que estou evitando entrar em algumas tarefas, geralmente me ajuda a refletir muito mais sobre o que estou fazendo, de modo que consigo entender mais o que estou planejando, e tenho mais chances, assim, de avaliar se estou fazendo a coisa certa, tomando as decisões certas, seguindo o caminho certo…

Ou, mesmo que eu não consiga seguir o melhor caminho, ao menos eu posso tentar entender por que não estou seguindo. Se a justificativa for razoável, então eu sigo (:

Exemplo desse processo, hoje: mais cedo, comentei que começaria a prototipar hoje. Entretanto, no processo de analisar como iFood, GuiaMais e TeleListas resolviam as coisas que estava com problemas no fazDelivery, gerei umas tabelas que queria passar logo pro LaTeX. Quando fiz isso, percebi que precisava reestruturar o capítulo sobre prototipação, para encaixar cada coisa em seu devido lugar e dar uma noção da ordem lógica que segui. E, quando fiz isso, percebi que eu não podia já ter proposto soluções antes de ter olhado os concorrentes – mas foi o que aconteceu. Então, amanhã vou revisar as soluções que tinha proposto, comparando com as das outras ferramentas.

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Testes com Usuários – O que é importante sintetizar? D:

Ok, eu tenho uma cacetada de informação relacionada aos testes com usuários. E agora, eu uso o quê, o como? Calculei um bocado de médias, defini metas, fiz teste eu mesma, para servir de benchmarking. Mas agora é hora de descrever os testes, apresentar tais dados, extrair algo de valor deles. comofas/ >.<‘

Já descrevi a parte aberta, subjetiva dos testes. Ainda não caracterizei o perfil dos usuários, por outro lado, nem… consigo usar os números de um jeito que faça sentido. Vamos tentar aqui, primeiro. Menos pressão. Por exemplo, eu defini duas metas:

  • consultas não demorarem mais de 3 minutos;
  • 80% das consultas serem concluídas com sucesso (a definição de sucesso era conseguir encontrar um telefone para um estabelecimento que tivesse o produto pesquisado).

A partir dos dados coletados, é possível observar que aproximadamente 90% das consultas foi concluída em menos de 3 minutos (a média foi 1:29 minutos). Entretanto, isso não impediu que apenas 66% das tarefas fosse considerado concluído com sucesso, e em verdade as médias de duração de tarefas concluídas com sucesso ou abortadas porque o usuário chegou a seu limiar de frustração (1:31 minutos) teve uma diferença de 2 segundos, apenas. Isso pode sugerir duas coisas:

  1. o tempo de duração da consulta não é tão relevante para as pessoas, conquanto que elas não se sintam frustradas com o sistema;
  2. ou, seguindo uma linha oposta, que as pessoas têm uma expectativa de encontrar as coisas muito rápido, o que faria com que 2 segundos fosse um tempo significativo, aqui.

A segunda hipótese, entretanto, não é confirmada pelos dados, pois apenas uma das tarefas concluída sem sucesso de fato ultrapassou os três minutos. A partir disso fico inclinada a pensar que a primeira hipótese é a que faz mais sentido, e que, conquanto o sistema não pareça ser incapaz de atender às demandas dos usuários, o tempo de duração de uma consulta (pelo menos no intervalo de tempos destes testes, em que a consulta mais longa levou 4:10 para ser concluída – com sucesso, por sinal) não é tão relevante para a satisfação do usuário com a ferramenta.

Outro aspecto que observei a partir dos testes foi que algumas pessoas consideraram uma tarefa concluída, mesmo tendo encontrado um estabelecimento diferente do solicitado.

Como tais observações são úteis para o projeto?

  1. tenho mais maturidade para pensar as próximas metas;
  2. fica claro que devo observar, das sessões de testes, os aspectos que mais levaram a frustração, para tentar minimizá-los;
  3. a listagem de resultados não é exatamente eficiente para apresentar informações sobre os estabelecimentos (as marcas são pequenas, o nome tem pouco destaque).

Hm. Ok. Isso me ajuda a me sentir um pouco melhor. Essa é uma história que sinto que consigo contar, que faz sentido dentro de meu processo. Agora vou pedalar, pra ajeitar o juízo e as ideias, e volto pra terminar essa descrição da 1ª rodada de testes com usuários.

EDIT 1: ontem à noite, em algum momento, quando reli isso, não gostei muito do racional. Me pareceu precipitado e errôneo. Talvez não tanto por ele em si, mas porque analisei os dados em mais detalhes e vi que quando baixei a linha de corte para 1:29, que foi a média, o racional parou de fazer sentido at all. Acho que só por “diversão” vou calcular a mediana das durações, depois.

EDIT 2: ok, calculei a mediana de todas as tarefas de consulta: 78.5. A média é 89. O que eu deveria conseguir apreender, disso?

A quantidade de informações interessantes é “over nine thousand”

Uma vez imersa no processo bastante cíclico de tentar escrever, ler e, principalmente, sintetizar o que já foi ou é lido, uma das maiores angústias que surgem é: é muita informação no mundo.

Em um primeiro momento, isso é assustador e oprime, porque parece que não serei capaz de absorver o mínimo necessário para entender o tópico. Quando consigo vencer este medo e começo a ler, por um lado perco a sensação de que nunca serei capaz de entender aquilo, e fico feliz. Isto pode passar rapidamente, quando paro a etapa de descoberta e leitura de fontes, e volto ao processo de escrita. Então a quantidade de informação que absorvi me parece grande demais para que eu consiga concatenar e sumarizar satisfatória e logicamente. Eventualmente consigo ultrapassar essa barreira e escrevo algo – normalmente, para isso, preciso abandonar minhas expectativas acerca da qualidade e do estilo de escrita, e simplesmente me deixar dizer o que entendi. Quando termino, é novamente boa a sensação de ter conseguido vencer um tópico.

Então, novamente me vejo diante de um assunto relativamente desconhecido, e recomeça o ciclo.